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terça-feira, 11 de março de 2008

Acidlullaby, The Beholder


Vetor by Acidlullaby

Antes do Nome [Adélia Prado]

Não me importa a palavra, esta corriqueira.
Quero é o esplêndido caos de onde emerge a sintaxe,
os sítios escuros onde nasce o "de", o "aliás",
o "o", o "porém" e o "que", esta incompreensível
muleta que me apóia.
Quem entender a linguagem entende Deus
cujo Filho é Verbo. Morre quem entender.
A palavra é disfarce de uma coisa mais grave, surda-muda,
foi inventada para ser calada.
Em momentos de graça, infreqüentíssimos,
se poderá apanhá-la: um peixe vivo com a mão.
Puro susto e terror.

sábado, 2 de fevereiro de 2008

Acidlullaby, Rocketbox

Vetor by Acidlullaby


POEMA XVIII [Pablo Neruda]

Os dias não se descartam nem se somam, são abelhas que arderam de doçura ou enfureceram o aguilhão: o certame continua, vão e vêm as viagens do mel à dor. Não, não se desfia a rede dos anos: não hà rede. não caem gota a gota de um rio: não há rio. O sonho não divide a vida em duas metades, nem a ação, nem o silêncio, nem a virtude: a vida foi como uma pedra, um só movimento, uma única fogueira que reverberou na folhagem, uma flecha, uma só, lenta ou ativa, um metal que subiu e desceu queimando em teus ossos.